Liberalismo
da Abundância

Artigo · 28/10/2026

O recado do mercado não é de partido. É de conta.

A bolsa caiu e o dólar disparou após o segundo turno. Mais gasto só faz sentido com evidência de que a dívida é sustentável; se não for, o mais pobre paga no preço e no juro.

Na segunda-feira, 26 de outubro, primeiro pregão depois do segundo turno da eleição presidencial, o Ibovespa fechou em queda de 13,88%, a maior perda percentual desde março de 2020. A B3 acionou o circuit breaker logo na abertura e interrompeu os negócios por 30 minutos. No câmbio, o dólar à vista subiu 8,21%, para R$ 5,4027, a maior alta diária desde 1999.

É fácil transformar esses números em placar. Um lado diz que o mercado "votou contra"; o outro, que o mercado "faz terrorismo". As duas leituras perdem o principal.

O recado não é de partido, é de conta

Um relatório do UBS, citado pela Exame, resume bem o ponto: antes de rever suas apostas, investidores querem ver evidências concretas de compromisso com o ajuste fiscal. Não é uma questão de quem ganhou. Qualquer governo, de qualquer cor, que amplie gastos sem mostrar como a conta fecha recebe a mesma resposta: juro mais alto e moeda mais fraca.

Os números de base ajudam a entender a preocupação. Um levantamento da Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado, calculou que as medidas anunciadas pelo governo federal em 2026 com impacto direto no resultado primário somam R$ 93,8 bilhões: R$ 63,2 bilhões em despesas e R$ 30,6 bilhões em renúncias de receita. São valores autorizados ou estimados, não necessariamente gastos. Ao mesmo tempo, a IFI projeta a dívida bruta em 82,5% do PIB em 2026 e 86,4% em 2027 e estima que seria preciso um superávit primário de 2,1% do PIB por ano só para estabilizar a relação entre dívida e PIB.

Quem paga quando a conta não fecha

Dólar mais caro encarece importados e insumos. Se isso vem junto com mais gasto, o Banco Central fica com menos espaço para cortar juros. E a própria IFI analisa como dívida mais alta pode elevar o prêmio de risco cobrado nos títulos de prazo longo.

Quem sente primeiro não é quem tem reserva em dólar. É quem compra comida no mercado, financia uma geladeira ou depende de crédito para manter um pequeno negócio. Se a dívida não for sustentável, o mais pobre paga duas vezes: no preço e no juro.

O que defendemos

O Liberalismo da Abundância aceita mais dívida pública, mas só com evidência de que ela é sustentável. Isso vale para qualquer transferência, investimento ou benefício, venha de onde vier. Na prática:

Otimismo com a conta na mesa

Dias como 26 de outubro assustam, mas preço de mercado não é sentença: ele reage a sinais, e sinais podem mudar. Um plano fiscal crível, apresentado com números e transparência, faz mais pela confiança do que qualquer discurso. O caminho para um país mais rico e mais livre passa por produtividade, concorrência e responsabilidade, ao mesmo tempo.

Mais gasto só faz sentido com evidência de que a dívida é sustentável. Otimismo, sim. Com a conta na mesa.

Todo número neste texto tem link para a fonte. Lista completa em Fontes. Achou um erro? Veja Participe.

← Todos os artigos